A cultura como sendo elemento próprio do Homem, que de uma certa forma simplista nos diferencia dos outros animais, é debatida neste contemporâneo marcado por quebra de fronteiras geográficas, por causa da tecnologia, e pelas trocas de informações que fortalecem a desterritorialização e a quebra de determinismos que agiram entre outras épocas e espaços. No contemporâneo, principalmente no chamado mundo "civilizado" e ocidental, a relação tempo e espaço é outra e esta condiciona a cultura. Como por exemplo, um jovem paulistano, filho de pais nordestinos, tem acesso em São Paulo aos produtos japoneses. Na metrópole, ele pode ouvir "j-music", se vestir igual ao seu herói predileto das histórias de mangá, comer sushi e temaki, como também, ser adepto do budismo. Com isso, a cultura no contemporâneo está atrelada à indústria cultural e ao mundo dos signos, esses que atravessam algumas barreiras geográficas. Vale ressaltar, que tais aproximações geram desordem no seio da tradição, conforme diz Marc Augé em "A desordem - elogio do movimento" que levam a processos de resinificação.
A obra "Cultura de massas no séc. XX. Espírito do tempo 1: neurose" do sociólogo francês Edgar Morin traça uma linha histórica da indústria cultural e principalmente as características da cultura de massa, essa que segundo o autor é a terceira via em relação à cultura burguesa e popular. Entre os aspectos que compõem tal indústria, temos a questão da forte presença de sentimentos universais em seus filmes, programas televisivos e revistas. Portanto, esses produtos, trabalham com o amor, o medo, a felicidade, o sonho e com a raiva. Como exemplo, Morin mostra que um filme de comédia possui cenas de amor, erotismo e violência, cuja escolha é feita para propagar diversos signais dentro de uma mesma produção limitada por tempo de duração. De forma similar, a indústria age no jornalismo ao mesclar informação e entretenimento; imagem; som e texto que propiciam um maior número de mensagens a ser filtradas e absorvidas. Como exemplo, temos a veiculação de reportagens em telejornais sobre um casal de anônimos que se encontraram no dia dos namorados, cuja matéria é "embalada" com canções românticas.
Os exemplos citados acimam remetem para uma combinação entre imaginário e informação, sempre tendo a emissão de signos e significados como "motor" que move a cultura de massa. Cultura essa que por conta da indústria cultural tenta aproximar pessoas de diferentes culturas, localidades e religiões em torno dos sentimentos acima mencionados presentes na raça humana, e reafirmados e difundidos pela indústria cultural. Um exemplo mencionado por Morin é o dos "olimpianos", celebridades que têm suas vidas particulares expostas nos meios de comunicação que noticiam seus problemas, sucessos, alegrias e fracassos. No entanto, a indústria cultural pouco trabalha com política, estado e religião em seus produtos, como menciona o autor. A religião, por exemplo, está relacionada com a morte, assunto que não é respondido pela indústria cultural por esta focar o presente, tão enfatizado no último capítulo desta obra de Morin.
A publicação "Cultura de massas no séc. XX. Espírito do tempo 1: neurose" revela que o Homem é altamente receptivo às diferentes mensagens, e que a sua capacidade de trabalhar com significados é vasta. O próprio Morin destaca em "O Enigma do Homem" a complexidade de nos é inerente. Para eles, somos seres humanos influenciados pela genética, pelo cérebro, pelo meio-ambiente e pela influência social. Elementos que compõem nosso modo de estar no mundo, ou seja, a nossa cultura. Nesta obra, o autor destaca a antropologia como uma ciência que deve estudar a complexidade humana composta pelo abstrato e pelo material. Morin com isso enfatiza a importância da ecologia.
O estudo do Homem e sua relação com o meio-ambiente também é verificado nas obras "A interpretação das culturas", "O saber local" e "O pensamento selvagem". Nelas, os autores esclarecem a participação de elementos da natureza, como animais e plantas, como sendo importantes para a construção do Homem. "A interpretação das culturas" do antropólogo norte-americano Clifford Geertz revela que o Homem pode usar animais para defender e demarcar a sua cultura e classe social. Ele exemplifica tal acontecimento com as rinhas de galo ocorridas na ilha de Bali. Evento esse que envolve defesa de classe social, de família, masculinidade, fascínio pelo proibido, sacrifício religioso e afronta à Java, principal ilha da Indonésia. De forma similar o Homem usa os animais e plantas para organizar o seu tempo e dar orientação para as suas sociedades isoladas, como aconteceu no Havaí, noroeste dos Estados Unidos, Gabão e Sudão. Exemplos esses presentes na obra "O pensamento selvagem" de Claude Levi-Strauss que estudou os totemismo.
Através da indústria cultural observada por Morin, como também pela relação do Homem com a natureza, pode-se concluir que nós somos seres passivos no que corresponde à absorção de mensagens, essas que podem chegar a nós pela tecnologia e/ou pela natureza que nos cerca. Acima de tudo, necessitamos de sinais externos para nos orientarmos e construirmos nossas regras, leis e costumes que devem dar sentido à nossa vida e para uma mente complexa e sonhadora. Afinal, como diz Georges Balandier, os nossos sonhos são muito mais misteriosos do que aqueles que ocorrem com os felinos, seres que sonham somente (?) com alimentação e caça.
Abraços!
Os exemplos citados acimam remetem para uma combinação entre imaginário e informação, sempre tendo a emissão de signos e significados como "motor" que move a cultura de massa. Cultura essa que por conta da indústria cultural tenta aproximar pessoas de diferentes culturas, localidades e religiões em torno dos sentimentos acima mencionados presentes na raça humana, e reafirmados e difundidos pela indústria cultural. Um exemplo mencionado por Morin é o dos "olimpianos", celebridades que têm suas vidas particulares expostas nos meios de comunicação que noticiam seus problemas, sucessos, alegrias e fracassos. No entanto, a indústria cultural pouco trabalha com política, estado e religião em seus produtos, como menciona o autor. A religião, por exemplo, está relacionada com a morte, assunto que não é respondido pela indústria cultural por esta focar o presente, tão enfatizado no último capítulo desta obra de Morin.
A publicação "Cultura de massas no séc. XX. Espírito do tempo 1: neurose" revela que o Homem é altamente receptivo às diferentes mensagens, e que a sua capacidade de trabalhar com significados é vasta. O próprio Morin destaca em "O Enigma do Homem" a complexidade de nos é inerente. Para eles, somos seres humanos influenciados pela genética, pelo cérebro, pelo meio-ambiente e pela influência social. Elementos que compõem nosso modo de estar no mundo, ou seja, a nossa cultura. Nesta obra, o autor destaca a antropologia como uma ciência que deve estudar a complexidade humana composta pelo abstrato e pelo material. Morin com isso enfatiza a importância da ecologia.
O estudo do Homem e sua relação com o meio-ambiente também é verificado nas obras "A interpretação das culturas", "O saber local" e "O pensamento selvagem". Nelas, os autores esclarecem a participação de elementos da natureza, como animais e plantas, como sendo importantes para a construção do Homem. "A interpretação das culturas" do antropólogo norte-americano Clifford Geertz revela que o Homem pode usar animais para defender e demarcar a sua cultura e classe social. Ele exemplifica tal acontecimento com as rinhas de galo ocorridas na ilha de Bali. Evento esse que envolve defesa de classe social, de família, masculinidade, fascínio pelo proibido, sacrifício religioso e afronta à Java, principal ilha da Indonésia. De forma similar o Homem usa os animais e plantas para organizar o seu tempo e dar orientação para as suas sociedades isoladas, como aconteceu no Havaí, noroeste dos Estados Unidos, Gabão e Sudão. Exemplos esses presentes na obra "O pensamento selvagem" de Claude Levi-Strauss que estudou os totemismo.
Através da indústria cultural observada por Morin, como também pela relação do Homem com a natureza, pode-se concluir que nós somos seres passivos no que corresponde à absorção de mensagens, essas que podem chegar a nós pela tecnologia e/ou pela natureza que nos cerca. Acima de tudo, necessitamos de sinais externos para nos orientarmos e construirmos nossas regras, leis e costumes que devem dar sentido à nossa vida e para uma mente complexa e sonhadora. Afinal, como diz Georges Balandier, os nossos sonhos são muito mais misteriosos do que aqueles que ocorrem com os felinos, seres que sonham somente (?) com alimentação e caça.
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