27 Setembro 2011

Olavo, 40 livros e 40 mil tweets


O polêmico filósofo, Olavo de Carvalho, que eu admiro e a esquerda odeia, tem como uma de suas principais marcas a luta contra a doutrinação socialista/comunista no ensino superior brasileiro. Instituição que, segundo Olavo, não produz pesquisas e artigos relevantes, principalmente na área das ciências humanas. Olavo sempre reitera a importância de se estudar por conta própria e com o propósito de sempre buscar a verdade, que segundo ele é omitida muitas vezes pela acadêmia brasileira. Um exemplo é o da diminuição dos casos de Aids em Uganda, país cujo governo incentivou o sexo somente dentro do casamento. Campanha essa que seria ridicularizada, caso fosse veículada nos meios de comunicação deste atual Brasil.

Além das críticas sobre os "temas batidos" que dominam as pesquisas acadêmicas brasileiras, Olavo igualmente contesta a preguiça de muitos estudantes e, quiçá, professores brasileiros. Esses, que, para ele, seguem a vida universitária com o intuito de buscar um diploma e passar um ar de intelectual através de repetições de discursos e frases dos pensadores que compartilham de uma mesma visão. O estudar com um propósito genuino de obter dados concretos e comprovados é substituido, muitas vezes, pela vontade de impor uma visão de mundo. É a ideologia na frente da ciência?

De volta ao assunto "preguiça", o dito filósofo, declara que todo estudante deve ler por ano 80 livros da sua área de estudo. Eu mesmo, nos tempos de faculdade, nunca cheguei perto de tal marca. Por inocência, acreditava que por trabalhar, tal feito não poderia ser realizado. O capitalismo não me deixava, assim eu pensava. Muitas vezes eu vi no meio acadêmico alunos reclamarem do número de páginas a serem lidas e, infelizmente, muitos professores "amarelarem", perante tais reclamações. Imagina então ler 80 livros em um ano?

Bom, eu confesso que é um número alto, sendo assim, proponho pensar na metade, 40 livros. Caso o estudante chegue nessa marca, ele terá lido um livro a cada 9,125 dias. Em quatro anos, duração da maioria dos bacharelados da área de humanas, o estudante autodidata terá "devorado" 160 livros. Está certo que quantidade não é sinônimo de qualidade, porém, qual a porcentagem dos alunos matriculados nas universidades brasileiras que alcançam tal marca? Sustentado em um bom planejamento, tal caminho não é mais vantajoso intelectualmente do que assistir aulas e gastar dinheiro com transporte, alimentação e mensalidade (no caso das instituições particulares)?

Na contramão das publicações acadêmicas temos as redes sociais como o Twitter e Facebook. Sites que recebem mensagens das mais diversas, vindas de jovens que trocam informações em um intercâmbio que mescla escrita e leitura. Intercâmbio marcado pela velocidade que oferece aos seus usuários a possibilidade de expressar opiniões para centenas de internautas. Pessoalmente, eu aposto que a maioria dos tais internautas viciados em redes sociais não lêem 40 livros em um ano, mas, provavelmente, 40 mil tweets são acolhidos sem nenhum esforço. É preciso de uma pesquisa para comprovar ou desmentir minha suposição? Bom, o esforço e a concentração são cada vez mais suplantadas pelo imediatismo nessa minha geração que quer dar opinião e mostrar sua "visão de mundo", porém, com um diploma vindo sem leitura verdadeira. Eis a geração "PC Siqueira".

Abraços!

1 comentários:

André Azevedo Costa disse...

O estudar com um propósito genuino de obter dados concretos e comprovados...
Daí fala sobre quem usa as redes sociais em demasia com uma conclusão capenga.
Você é no mínimo meio hipócrita, não?