Voltei a assistir recentemente o documentário "Arquitetura da Destruição" que retrata as bases do nazismo. No começo da produção vê-se a admiração que Hitler possuía pela arte clássica greco-romana, como também o "nojo" pela "deformada" arte moderna. Na mente do ditador nazista percebe-se uma clara preferência pelos elementos naturais vistos no dia-a-dia daquela época. Com isso, como exemplo, as estatuas gregas que apresentam corpos bem delineados se sobrepõem aos quadros cubistas e expressionistas.
Hitler, com isso, apresenta gosto por um certo "puritanismo" europeu que é visto em uma arte que é espelho dos elementos naturais, indo de paisagens, castelos e corpos sem marcas e tatuagens. É precisamente nesse último item que me veio à cabeça uma suposta contradição de alguns seguidores de Adolf. Basta dar uma pesquisada no "Google" com os nomes "nazi" e "tattoos" para vermos a quantidade enorme de neonazistas que possuem marcas em seus corpos - o oposto das esculturas de homens e mulheres pelados da Grécia Antiga. Vale ressaltar que as tatuagens surgiram em diversas partes do mundo, como nos territórios da atual Indonésia, Índia, Escandinávia e Oceania.
Além das tatuagens, muitos neonazistas da atualidade usufruem de algo distante da cultura alemã do início do século XX: o "rock". Gênero esse nascido no sul dos Estados Unidos que fez parte de uma safra abundante que continha também o blues, o jazz e o gospel. Originalmente era caracterizado como música de negro, mas hoje é ouvido principalmente pela população branca dos quatro cantos da terra. Como sendo, provavelmente, o estilo que melhor casa com protesto (ao lado do rap), o rock foi abraçado pelos neonazistas que não se importam com sua origem negra.
A apropriação de elementos culturais é assim. Como diz a canção "Isso" dos Titãs: "não respeita cor, credo ou classe social".
Abraços!



