31 Março 2012

Nazismo, tatuagens e rock

Voltei a assistir recentemente o documentário "Arquitetura da Destruição" que retrata as bases do nazismo. No começo da produção vê-se a admiração que Hitler possuía pela arte clássica greco-romana, como também o "nojo" pela "deformada" arte moderna. Na mente do ditador nazista percebe-se uma clara preferência pelos elementos naturais vistos no dia-a-dia daquela época. Com isso, como exemplo, as estatuas gregas que apresentam corpos bem delineados se sobrepõem aos quadros cubistas e expressionistas.

Hitler, com isso, apresenta gosto por um certo "puritanismo" europeu que é visto em uma arte que é espelho dos elementos naturais, indo de paisagens, castelos e corpos sem marcas e tatuagens. É precisamente nesse último item que me veio à cabeça uma suposta contradição de alguns seguidores de Adolf. Basta dar uma pesquisada no "Google" com os nomes "nazi" e "tattoos" para vermos a quantidade enorme de neonazistas que possuem marcas em seus corpos - o oposto das esculturas de homens e mulheres pelados da Grécia Antiga. Vale ressaltar que as tatuagens surgiram em diversas partes do mundo, como nos territórios da atual Indonésia, Índia, Escandinávia e Oceania. 

Além das tatuagens, muitos neonazistas da atualidade usufruem de algo distante da cultura alemã do início do século XX: o "rock". Gênero esse nascido no sul dos Estados Unidos que fez parte de uma safra abundante que continha também o blues, o jazz e o gospel. Originalmente era caracterizado como música de negro, mas hoje é ouvido principalmente pela população branca dos quatro cantos da terra. Como sendo, provavelmente, o estilo que melhor casa com protesto (ao lado do rap), o rock foi abraçado pelos neonazistas que não se importam com sua origem negra.

A apropriação de elementos culturais é assim. Como diz a canção "Isso" dos Titãs: "não respeita cor, credo ou classe social".

Abraços!

09 Fevereiro 2012

Nuvens de criança


Uzbequistão: a Puma da Ásia


Zâmbia: o bebê da África

24 Janeiro 2012

Carta de auto-incentivo

2012, ano do final do mundo ou do início de uma nova ordem mundial/nova era?  Bom, eu posso dizer apenas que este será um tempo de superação e de organização. Superação para vencer o vício de perder muito tempo na net (em sites de entretenimento, notícias e, também, científicos). Superação de vencer as horas perdidas em frente ao vídeo-game. Superação de resistir ao sono quando chegar do trabalho. Superação para dormir e acordar cedo com o fôlego de um vencedor. 

Organizarei melhor o meu tempo. Irei ler mais livros da minha área de estudo. Irei dedicar oito horas por semana - no mínimo - para trabalhar em casa a minha dissertação. Organizarei como um profissinal/estudante o tempo das minhas noites de estudo, de segunda até sexta.  Organizarei melhor o meu tempo para cuidar do meu lado espiritual. Quem sabe eu não leia, ao menos, metade da bíblia?

Organizarei também o tempo em pró do meu corpo. Exercícios físicos e suor "consumirão" quatro horas nas manhãs de sábado. A arte também será lembrada, o meu sax alto e o meu singelo pífaro ganharão espaços nas tardes sabáticas. Será bom: o lazer será mais prazeroso nas noites de sábado e aos domingos - por conta do dever cumprido. 

Estarei, no "furacão" deste mundo contemporâneo de ofertas e informações, desligado da agitação virtual. Redes sociais terão pouco espaço. Porém, este blog será alimentado com uma postagem por semana. Serei ainda mais metódico e certinho. Estou pronto!

Abraços e feliz 2012.

13 Dezembro 2011

Homem, indústria cultural e galos



A cultura como sendo elemento próprio do Homem, que de uma certa forma simplista nos diferencia dos outros animais, é debatida neste contemporâneo marcado por quebra de fronteiras geográficas, por causa da tecnologia, e pelas trocas de informações que fortalecem a desterritorialização e a quebra de determinismos que agiram entre outras épocas e espaços. No contemporâneo, principalmente no chamado mundo "civilizado" e ocidental, a relação tempo e espaço é outra e esta condiciona a cultura. Como por exemplo, um jovem paulistano, filho de pais nordestinos, tem acesso em São Paulo aos produtos japoneses. Na metrópole, ele pode ouvir "j-music", se vestir igual ao seu herói predileto das histórias de mangá, comer sushi e temaki, como também, ser adepto do budismo. Com isso, a cultura no contemporâneo está atrelada à indústria cultural e ao mundo dos signos, esses que atravessam algumas barreiras geográficas. Vale ressaltar, que tais aproximações geram desordem no seio da tradição, conforme diz Marc Augé em "A desordem - elogio do movimento" que levam a processos de resinificação. 

A obra "Cultura de massas no séc. XX. Espírito do tempo 1: neurose" do sociólogo francês Edgar Morin traça uma linha histórica da indústria cultural e principalmente as características da cultura de massa, essa que segundo o autor é a terceira via em relação à cultura burguesa e popular. Entre os aspectos que compõem tal indústria, temos a questão da forte presença de sentimentos universais em seus filmes, programas televisivos e revistas. Portanto, esses produtos, trabalham com o amor, o medo, a felicidade, o sonho e com a raiva. Como exemplo, Morin mostra que um filme de comédia possui cenas de amor, erotismo e violência, cuja escolha é feita para propagar diversos signais dentro de uma mesma produção limitada por tempo de duração. De forma similar, a indústria age no jornalismo ao mesclar informação e entretenimento; imagem; som e texto que propiciam um maior número de mensagens a ser filtradas e absorvidas. Como exemplo, temos a veiculação de reportagens em telejornais sobre um casal de anônimos que se encontraram no dia dos namorados, cuja matéria é "embalada" com canções românticas.

Os exemplos citados acimam remetem para uma combinação entre imaginário e informação, sempre tendo a emissão de signos e significados como "motor" que move a cultura de massa. Cultura essa que por conta da indústria cultural tenta aproximar pessoas de diferentes culturas, localidades e religiões em torno dos sentimentos acima mencionados presentes na raça humana, e reafirmados e difundidos pela indústria cultural. Um exemplo mencionado por Morin é o dos "olimpianos", celebridades que têm suas vidas particulares expostas nos meios de comunicação que noticiam seus problemas, sucessos, alegrias e fracassos. No entanto, a indústria cultural pouco trabalha com política, estado e religião em seus produtos, como menciona o autor. A religião, por exemplo, está relacionada com a morte, assunto que não é respondido pela indústria cultural por esta focar o presente, tão enfatizado no último capítulo desta obra de Morin.

A publicação "Cultura de massas no séc. XX. Espírito do tempo 1: neurose" revela que o Homem é altamente receptivo às diferentes mensagens, e que a sua capacidade de trabalhar com significados é vasta. O próprio Morin destaca em "O Enigma do Homem" a complexidade de nos é inerente. Para eles, somos seres humanos influenciados pela genética, pelo cérebro, pelo meio-ambiente e pela influência social. Elementos que compõem nosso modo de estar no mundo, ou seja, a nossa cultura. Nesta obra, o autor destaca a antropologia como uma ciência que deve estudar a complexidade humana composta pelo abstrato e pelo material. Morin com isso enfatiza a importância da ecologia.

O estudo do Homem e sua relação com o meio-ambiente também é verificado nas obras "A interpretação das culturas", "O saber local" e "O pensamento selvagem". Nelas, os autores esclarecem a participação de elementos da natureza, como animais e plantas, como sendo importantes para a construção do Homem. "A interpretação das culturas" do antropólogo norte-americano Clifford Geertz revela que o Homem pode usar animais para defender e demarcar a sua cultura e classe social. Ele exemplifica tal acontecimento com as rinhas de galo ocorridas na ilha de Bali. Evento esse que envolve defesa de classe social, de família, masculinidade, fascínio pelo proibido, sacrifício religioso e afronta à Java, principal ilha da Indonésia. De forma similar o Homem usa os animais e plantas para organizar o seu tempo e dar orientação para as suas sociedades isoladas, como aconteceu no Havaí, noroeste dos Estados Unidos, Gabão e Sudão. Exemplos esses presentes na obra "O pensamento selvagem" de Claude Levi-Strauss que estudou os totemismo.

Através da indústria cultural observada por Morin, como também pela relação do Homem com a natureza, pode-se concluir que nós somos seres passivos no que corresponde à absorção de mensagens, essas que podem chegar a nós pela tecnologia e/ou pela natureza que nos cerca. Acima de tudo, necessitamos de sinais externos para nos orientarmos e construirmos nossas regras, leis e costumes que devem dar sentido à nossa vida e para uma mente complexa e sonhadora. Afinal, como diz Georges Balandier, os nossos sonhos são muito  mais misteriosos do que aqueles que ocorrem com os felinos, seres que sonham  somente (?) com alimentação e caça.

Abraços!

05 Novembro 2011

Pobres

Jovem ganhando pouco ou sem emprego
Critica o capitalismo por preguiça
Para ele, marxismo é fácil de entender
É pura dicotomia simplista

Ele estudou em escola particular
Nunca conversou com pobre
Só vê gente assim na tv do lar
Pobre é humildade, diz ele que morre

Bondade, ingenuidade e preguiça
Na faculdade  pôde colocar em prática
Essa é a combinação que faz um marxista
E o ciclo não termina nessa porca didática

Agora como professor vive na mamata
Passa aos alunos um ar de intelectual
Como também, bondade na alma
Não sabe, mas o ensino segue mal

27 Setembro 2011

Olavo, 40 livros e 40 mil tweets


O polêmico filósofo, Olavo de Carvalho, que eu admiro e a esquerda odeia, tem como uma de suas principais marcas a luta contra a doutrinação socialista/comunista no ensino superior brasileiro. Instituição que, segundo Olavo, não produz pesquisas e artigos relevantes, principalmente na área das ciências humanas. Olavo sempre reitera a importância de se estudar por conta própria e com o propósito de sempre buscar a verdade, que segundo ele é omitida muitas vezes pela acadêmia brasileira. Um exemplo é o da diminuição dos casos de Aids em Uganda, país cujo governo incentivou o sexo somente dentro do casamento. Campanha essa que seria ridicularizada, caso fosse veículada nos meios de comunicação deste atual Brasil.

Além das críticas sobre os "temas batidos" que dominam as pesquisas acadêmicas brasileiras, Olavo igualmente contesta a preguiça de muitos estudantes e, quiçá, professores brasileiros. Esses, que, para ele, seguem a vida universitária com o intuito de buscar um diploma e passar um ar de intelectual através de repetições de discursos e frases dos pensadores que compartilham de uma mesma visão. O estudar com um propósito genuino de obter dados concretos e comprovados é substituido, muitas vezes, pela vontade de impor uma visão de mundo. É a ideologia na frente da ciência?

De volta ao assunto "preguiça", o dito filósofo, declara que todo estudante deve ler por ano 80 livros da sua área de estudo. Eu mesmo, nos tempos de faculdade, nunca cheguei perto de tal marca. Por inocência, acreditava que por trabalhar, tal feito não poderia ser realizado. O capitalismo não me deixava, assim eu pensava. Muitas vezes eu vi no meio acadêmico alunos reclamarem do número de páginas a serem lidas e, infelizmente, muitos professores "amarelarem", perante tais reclamações. Imagina então ler 80 livros em um ano?

Bom, eu confesso que é um número alto, sendo assim, proponho pensar na metade, 40 livros. Caso o estudante chegue nessa marca, ele terá lido um livro a cada 9,125 dias. Em quatro anos, duração da maioria dos bacharelados da área de humanas, o estudante autodidata terá "devorado" 160 livros. Está certo que quantidade não é sinônimo de qualidade, porém, qual a porcentagem dos alunos matriculados nas universidades brasileiras que alcançam tal marca? Sustentado em um bom planejamento, tal caminho não é mais vantajoso intelectualmente do que assistir aulas e gastar dinheiro com transporte, alimentação e mensalidade (no caso das instituições particulares)?

Na contramão das publicações acadêmicas temos as redes sociais como o Twitter e Facebook. Sites que recebem mensagens das mais diversas, vindas de jovens que trocam informações em um intercâmbio que mescla escrita e leitura. Intercâmbio marcado pela velocidade que oferece aos seus usuários a possibilidade de expressar opiniões para centenas de internautas. Pessoalmente, eu aposto que a maioria dos tais internautas viciados em redes sociais não lêem 40 livros em um ano, mas, provavelmente, 40 mil tweets são acolhidos sem nenhum esforço. É preciso de uma pesquisa para comprovar ou desmentir minha suposição? Bom, o esforço e a concentração são cada vez mais suplantadas pelo imediatismo nessa minha geração que quer dar opinião e mostrar sua "visão de mundo", porém, com um diploma vindo sem leitura verdadeira. Eis a geração "PC Siqueira".

Abraços!

12 Julho 2011

Melhor que pública

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